A eficácia das tecnologias sociais do IBS acaba de ganhar um importante reconhecimento no cenário científico brasileiro. O jogo Piquenique é a peça central de um artigo científico, “Práticas de Educação Financeira no Ensino Fundamental: contribuições do jogo Piquenique e da aprendizagem cooperativa”, que investiga práticas inovadoras de Educação Financeira no Ensino Fundamental.
O estudo foi desenvolvido pelo Professor Mestre Mário Cabral de Sousa Filho e pelo Professor Doutor Leonardo Alves Ferreira, pesquisadores da Universidade Estadual do Ceará (UECE) e integra a coletânea Educação Financeira: olhares, incertezas e possibilidades, publicada pela Editora Akademy. A análise acompanhou o impacto do jogo aliado à metodologia da aprendizagem cooperativa com estudantes do 5º ano da rede municipal de Fortaleza (CE).
De acordo com o professor Mário, a investigação partiu de um cenário desafiador compartilhado por muitas realidades escolares pelo país. “A pesquisa nasceu diante do desafio urgente do crescente endividamento das famílias e da dificuldade dos jovens em compreender conceitos básicos de planejamento e consumo consciente. Para enfrentar esse cenário, estruturamos uma sequência didática de seis encontros utilizando o método Jigsaw, uma dinâmica em grupo que permitiu que os estudantes compartilhassem conhecimentos e assumissem responsabilidades coletivas durante as atividades”, explica o professor.
Fundamentado em grandes teóricos da aprendizagem e do desenvolvimento humano, como Piaget, Vygotsky, Huizinga e Johnson & Johnson, o artigo comprova que o tabuleiro desenvolvido pelo Instituto transforma a experiência pedagógica. Os resultados demonstraram avanços importantes no aprendizado, com destaque para o aumento expressivo no interesse pelas aulas e na participação ativa.
A pesquisa da UECE também apontou o desenvolvimento de habilidades essenciais da Matemática, como o sistema monetário, o cálculo mental e a resolução de problemas envolvendo operações aritméticas. Além do ganho exato, o uso do jogo em sala de aula favoreceu a compreensão sobre consumo consciente, estimulando os estudantes a refletirem sobre o ato de poupar e a tomarem decisões financeiras mais responsáveis.
O retorno vindo das salas de aula confirmou o sucesso da abordagem metodológica. “A experiência foi positiva, segundo os alunos, que destacaram que o uso do jogo tornou as aulas mais motivadoras e que a aprendizagem cooperativa fortaleceu o diálogo, a interação entre colegas e o trabalho em equipe”, pontua Mário.
O estudo conclui que a Educação Financeira precisa ser trabalhada desde os anos iniciais da formação básica, de maneira interdisciplinar e contextualizada. Evidencia-se, assim, que a introdução de metodologias ativas e jogos pedagógicos é um caminho validado cientificamente para qualificar o ensino e promover a formação de cidadãos mais críticos e conscientes.


