Uma das principais características dos jogos pedagógicos do IBS é levar a experiência para além do tabuleiro. Inspirados pelas moedas Américas e Pilas, educadores passaram a desenvolver moedas pedagógicas próprias, transformando conceitos como planejamento, consumo consciente e tomada de decisão em experiências vividas no cotidiano escolar.
Foi o que aconteceu na Escola Centro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (CAIC), em Lauro de Freitas (BA), onde os alunos do 4º ano criaram a moeda “MAC” durante o projeto “Pequenos Mestres das Finanças”. A proposta surgiu após jogarem Piquenique, que despertou a curiosidade da turma sobre como as moedas são criadas e utilizadas. Antes de desenhar as cédulas, os estudantes estudaram a história do dinheiro, desde o escambo até os sistemas financeiros atuais.
“O jogo tinha uma moeda própria e isso chamou muito a atenção dos alunos. A partir daí, começamos a discutir a história do dinheiro e eles passaram a imaginar como seria criar uma moeda da própria turma. Eles escolheram o nome, os valores, desenharam as cédulas e hoje já discutem até a criação de um banco para administrar essa circulação”, conta a professora Heloiza Moura.
A iniciativa evoluiu para novos desafios. Os estudantes passaram a debater formas de utilizar a moeda em atividades da escola, incluindo uma barraca junina e a criação de um sistema de troca entre a “MAC” e o dinheiro real. Questões como arrecadação, organização financeira e funcionamento do Banco Central passaram a fazer parte das conversas em sala de aula de forma natural e significativa.
Em Itapissuma (PE), a inspiração também veio das práticas com os jogos na escola e foi retratada aqui em nosso EFF (edição de junho de 2023), e seguiu ganhando escala. O projeto “Bentos”, desenvolvido na Escola João Bento de Paiva, hoje envolve 485 estudantes do 6º ao 9º ano e utiliza uma moeda pedagógica própria para incentivar participação, responsabilidade e consciência financeira. Os alunos recebem “Bentos” por atitudes positivas, respeito ao ambiente escolar e envolvimento nas atividades, acumulando recursos que podem ser utilizados em feiras pedagógicas realizadas ao final de cada trimestre.
“O IBS contribuiu para minha formação e me incentivou a transformar as aulas em experiências mais significativas, conectadas à realidade local dos estudantes. Os alunos aprendem sobre orçamento, consumo consciente e valor do dinheiro nas aulas e depois colocam tudo isso em prática com os Bentos”, afirma o professor Vinícius Leandro de Moraes, idealizador da iniciativa.

