A trajetória do professor Jukson Ferreira Urbano na Educação Escolar Indígena em Tefé (AM) representa
bem o alcance dos jogos educativos e como eles se inserem nas diferentes culturas do país. Pertencente ao povo kambeba e atuando na Terra Indígena Barreira da Missão, ele encontrou nas formações e ferramentas pedagógicas do IBS a ponte ideal para unir os saberes ancestrais do seu território às exigências e desafios do mundo contemporâneo. No chão da escola pública, lecionando Matemática e Ciências para as turmas dos anos finais, sua prática diária traduz a essência de uma educação contextualizada, viva e intercultural.
A partir de orientações da Secretaria Municipal de Educação (SEMED) de Tefé (AM) e da busca ativa do
próprio educador em canais digitais, Jukson teve contato com os cursos EaD do Instituto e, desde então, vem construindo um percurso formativo consistente, se aproximando de concluir a trilha completa de Educação Financeira na plataforma. Esse movimento contínuo permitiu ao professor enxergar a sala de aula não como um espaço de repetição de conteúdos, mas como um ambiente de descoberta, pesquisa e valorização da cultura local.
Ele lembra de como vislumbrou um leque de possibilidades adaptáveis à dinâmica comunitária da aldeia:
“As iniciativas do Instituto contribuíram para fortalecer as propostas pedagógicas na escola, especialmente por meio de metodologias ativas, jogos educativos e projetos interdisciplinares. As ações de Educação Financeira, sustentabilidade, leitura, empreendedorismo e meio ambiente foram adaptadas à nossa realidade, buscando envolver os estudantes e relacionando os conteúdos escolares às vivências do território”.
As ferramentas lúdicas tornaram-se aliadas fundamentais para despertar o interesse dos estudantes. “Os jogos possibilitaram que os estudantes refletissem sobre a administração dos recursos familiares e comunitários, sempre respeitando os valores culturais do povo kambeba e a relação de cuidado com a natureza. De forma prática e divertida, os alunos passaram a compreender a importância de organizar o orçamento, economizar, praticar o consumo consciente e valorizar o trabalho coletivo”, reflete.
A partir desse engajamento dos alunos, o projeto expandiu-se e passou a integrar temas urgentes de sustentabilidade e preservação do território. As dinâmicas em sala de aula motivaram ações concretas de
reciclagem, reaproveitamento de materiais e preservação ambiental. Os jogos possibilitaram que os estudantes refletissem sobre a administração dos recursos, sempre respeitando os valores culturais do povo kambeba. na comunidade. Essa abordagem integrada fez com que o professor mobilizasse docentes de outras áreas para além da matemática e Ciências, alinhando as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) à cosmologia e às tradições kambeba em grandes culminâncias pedagógicas abertas à comunidade escolar.
Para Jukson, a aliança entre o saber tradicional e a inovação pedagógica é o caminho para formar cidadãos conscientes e orgulhosos de suas origens, mostrando como as tecnologias sociais e metodologias ativas ganham ainda mais força quando respeitam a diversidade e a realidade local. “A parceria entre a escola, a SEMED e o Instituto demonstram que iniciativas inovadoras podem dialogar perfeitamente com os saberes indígenas, contribuindo para uma educação que promove a cidadania e prepara os estudantes para enfrentar os desafios do presente e do futuro sem perder suas raízes. Acredito muito que nós podemos fazer além, e fazer além requer dedicação, compromisso e responsabilidade”, conclui.

